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História

De acordo com o recenseamento Geral de Gados no Continente do reino de Portugal (1870), A definição de Bísaro é o nome que se dá nas províncias do centro e Norte do reino ao porco esgalgado pernalto e de orelhas pendentes para distinguir do porco roliço e pernicurto do Alentejo. O apelativo Céltico foi empregado por Sanson para exprimir a antiguidade do porco deste tipo que era o único que existia nos povos célticos da antiga Gália.

J.F Macedo Pinto em 1878 no Compêndio de Veterinária escrevia:
(...) "1º Typo Bizaro ou Céltico – As raças deste typo descendem do javali comum e pertencem exclusivamente à Europa. Distinguem-se pelas seguintes características: cabeça grossa de fronte curta e chata, focinho comprido, boca grande, orelhas pendentes e longas até um pouco abaixo da linha dos olhos, corpo varudo, convexo e arqueado no dorso; peito com o diâmetro vertical muito superior ao horizontal o que lhe dá a forma chata, pernas compridas, sedas rijas de cor variável tendo cor preta a maior parte dos indivíduos. As muitas raças deste typo, que se encontram por toda a Europa, e principalmente no centro e norte d `ella, apenas se distinguem umas das outras por sua maioria ou menor corpulência.Os nossos porcos de raça commum das províncias do norte entram também n´este typo; têm lento e tardio desenvolvimento, só completam o seu crescimento na edade de dous annos, e então mesmo são de difícil engorda. Dão boa carne, mas são muito ossudos e atocinham pouco. (...)
(...) "Em Trás-os-Montes, Minho, Beiras e na Estremadura ao norte do Tejo predomina este typo; distinguindo-se suas variedades pela corpulencia côr e maior ou menor quantidade de cerdas. Encontram-se porcos que medem 1,50 metros da nuca à cauda e quasi 1 metro de altura, dando em cevões 200 a 250 kilogrammos. A maior parte do nosso país são pretos; os de todo brancos e de muito corpo que o illustrado Veterinário S. B. Lima (1) diz ter visto em Monsão e Valladares são aqui chamados gallegos por serem oriundos da Galiza. Pretos ou brancos e até malhados, há uns muito cerdosos e outros que se denominam mollarinhos por terem poucas cerdas, a pelle lisa macia, e são estes que se reputam mais cavadiços. De ordinário todos os nossos bizaros são de moroso crescimento (o porco feito gastou de dous a cinco annos a criar-se), e de custosa engorda, produzindo mais carne magra que gordura, e acumulando-se esta mais nas banhas que em espessas mantas de toucinho. A maior parte dos bizaros são debiqueiros na comida, principalmente durante a ceva, e a sua compleição não é das mais robustas e sadias
." (...)


Virgílio Taborda em 1932 escreveu:
(...)"O tipo que em Trás-os-Montes constitui o grosso da espécie é o bísaro, de crescimento lento, difícil engorda e mais rico em carne que em gordura....." "A batata e onde os soutos abundam a castanha formam a base da alimentação no período de ceva. Em muitos lugares também os suínos andam em vezeira pelos campos,....... aproveitando a lande dos carvalhos(...)”

Póvoa Janeiro em 1944 in boletim pecuário, escrevia:
" O conjunto revela o estado inselecto em que a raça se encontra. Movimentos geralmente vagarosos e algo desgraciosos. Muito prolíferos; ninhadas às vezes de vinte leitões e mais. Quanto à qualidade da carne, é magra pouco atoucinhada. O toucinho é baixo e entremeado, o seu sabor varia com a alimentação”.

Em 1967 Ramiro Ferrão e J. Alves de Mira afirmam:
"Ao norte do Tejo, explora-se um porco do tipo carne, cuja etnia se filia no chamado tronco céltico da espécie, que é geralmente designado nas zonas industriais do sul por «porco da terra» (...).
(...) Ora o nosso porco que habita as regiões ao norte do tejo possui extraordinária vocação para produção de carne que é, contudo, infelizmente acompanhada de igual vocação para a produção de osso e pele, o que a desvaloriza grandemente.
(...)

 

 

Galeria de Fotos do Porco de Raça Bísara























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Características

Os porcos de raça Bísara, originários do tronco Céltico, são animais grandes , chegando a atingir mais de um metro de altura e 1,5 metros da nuca à raiz da cauda, de pelagem preta, branca ou malhada, pele grossa e com cerdas compridas, grossas e abundantes. A cabeça é comprida e espessa, com orelhas compridas, largas e pendentes, face pouco desenvolvida e boca grande. O pescoço é comprido e regularmente musculado. O tronco é comprido, com dorso arqueado, tórax alto, achatado e pouco profundo, flanco largo e pouco descido, garupa estreita descaída e pouco musculada, ventre esgalgado.
Os membros são compridos, ossudos e pouco musculados, tendo um regular aprumo. As coxas são de bom comprimento e deficiente espessura por serem pouco musculadas; os pés são bem desenvolvidos. A cauda é grossa e de média inserção. São animais de temperamento bastante dócil, vagarosos e com movimentos pouco graciosos. Têm elevada prolificidade.
A carcaça do porco Bísaro tem uma proporção de músculo maior que de gordura, obtendo-se uma carne pouco atoucinhada mas muito entremeada, cujo sabor é melhorado com a alimentação a que estes animais são submetidos que é rica e variada.

Índices Reprodutivos e Produtivos Inidicativos da Raça Bísara

 


 

Sistema de Produção

No inicio do Séc. XX praticava-se o sistema de "vezeira" com a utilização de grandes áreas para alimentação dos porcos. Os animais percorriam grandes extensões de campos, aproveitando a lande dos carvalhos, a bolota e as ervas que encontravam. Hoje, podemos afirmar que o porco bísaro é criado num sistema semi-extensivo, em que todos os criadores possuem pocilgas licenciadas, com condições para o bem-estar dos animais. Estas pocilgas caracterizam-se pela utilização de áreas suficientes para os animais, em nenhum caso possuem boxes de gestação e todas elas utilizam os terrenos limítrofes para parques, onde os animais permanecem a maior parte do tempo, excepto nos períodos de parição e lactação, em que as mães e os leitões se encontram nas maternidades. Alguns criadores estão a utilizar o sistema ar livre (camping) em todo o ciclo produtivo, recorrendo ao uso de abrigos, maternidades e gestações com isolamento térmico. O porco bísaro é explorado em quatro vertentes diferentes, ou seja, todas as explorações se dedicam em simultâneo à criação de porcas reprodutoras, de varrascos, de leitões e de porcos de engorda.
O maneio alimentar foi sempre condicionado pelos recursos disponíveis, provenientes da agricultura local, alimentados principalmente com culturas da própria exploração. Maioritariamente a dieta fornecida consiste no alimento base composto por uma mistura de cereais, complementado por uma grande diversidade de alimentos (tubérculos, produtos hortícolas e frutos) ao longo do ano. A utilização de alimentos compostos completos verifica-se apenas em alturas pontuais como o desmame e a lactação.
Actualmente, a carne de porco bísaro é valorizada como matéria-prima do fumeiro regional certificado como é o caso do salpicão de Vinhais, chouriça de carne de Vinhais ou linguiça de Vinhais, presunto, alheira, chouriço azedo, chouriça doce, butelo, todos eles com IGP e a carne de bísaro transmontano DOP.

 
   

 

 

Área de Dispersão


Actualmente o porco Bísaro distribui-se essencialmente pela região transmontana nomeadamente pelos concelhos de Alfândega da Fé, Bragança, Vila Flor, Chaves, Freixo de Espada à Cinta, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mogadouro, Moncorvo, Montalegre, Valpaços, São João da Pesqueira, Moimenta da Beira, Vila Real, Vimioso e Vinhais, sendo neste último onde se encontram o maior número de explorações. Ainda podemos encontrar algumas explorações no Minho, Douro Litoral e Beira Litoral.
A região Transmontana é formada por uma sucessão de planaltos e montanhas, cujo clima se caracteriza pela influência continental, mais húmido e chuvoso a oeste e mais seco à medida que nos aproximamos da fronteira oriental.
Trás-os-Montes continua ainda hoje a ser uma região onde predomina uma agricultura tradicional e de subsistência, caracterizada pelas pequenas explorações e com efectivos reduzidos, onde o porco bísaro tal como todas as outras espécies autóctones se enquadra e adaptam perfeitamente.

       
 

 

 

Efectivos

Em tempos o Bísaro sofreu uma drástica diminuição no seu efectivo, mas a sua capacidade de adaptação ao sistema de agricultura tradicional, o seu temperamento dócil, a prolificidade, a facilidade na criação de leitões bem como a qualidade organoléptica da carne, foram características essenciais para a manutenção desta raça.

Actualmente, segundo dados da ANCSUB, o efectivo reprodutor é de cerca de 3962 fêmeas e 420 machos, espalhados por 126 explorações, situadas nas regiões de Trás-os-Montes, Minho, Beira Interior e Beira Litoral.

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Listagem de Efectivos por Concelho

Evolução do efectivo